terça-feira, 13 de novembro de 2012

Quando O Mundo Não Basta

Hoje senti a distância
Tão perto que chorei
Lástimas de um frei,
Sem deus nem infância,

Confesso que orei,
Com toda discrepância,
Para alguma concordância
Que jamais terei,

Simplesmente me basta
Ser a veia gasta
Deste túmulo etéreo;

Vou além do enlace,
-Do logro face a face-
Perdido neste mistério.




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Consternação

Eu desato os nós
da minha tortura,
após tanta procura
estamos a sós;

eu e a loucura,
esta dádiva atroz,
que aquém ou após
ata-me a negrura

de suas fugas,
são estas rugas
que tento evitar,

todavia, a falha
perfura e avacalha,
a prioridade é açoitar.



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Primeiras Impressões

"Agora nem sequer sabemos se o que nos rodeia é um labirinto, um secreto cosmos, ou um caos do acaso."
   Jorge Luis Borges

Eu amanheço em corrosão
Defronte os espasmos do impasse,
É esta polidez sem classe
Que descrevo em digressão

Tentando enganar o enlace
Do tempo em convulsão,
Eis a sina da alucinação,
Sempre conflituosa. Ah, se

Eu pudesse ser teoria,
Se pudesse, certamente saberia
Que tristeza é o outro nome

Da ternura. Na verdade,
Minha elegia é a vaidade
Daquilo que me consome.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Metáfora Eterna

A sombra que encobre
este meu vazio diário
orientaliza o(s) mortuário(s)
daquilo que me descobre

eu sigo interpelado nesta
pobreza espiritual repetida,
a melodia faz da ferida
poesia que não presta.

A realidade é -sempre- incapaz
de ser apenas eficaz
em afastar tanta dor...

mas, sabe, eu preciso
deste vazio indeciso
para ter algum interlocutor.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Culpa (?)

A sentença de ser
é aquilo que clama
pelo erro, pela lama
que cobre este anoitecer

e eu anoiteço. Assim
tal como o hemisfério
dos mitos sem mistério,
eu. Distância. Mim.

Do mundo sem consignação
ao vazio que diz não,
eu violento minhas metáforas,

o preço da escolha
vai além desta folha,
é escrito em anáforas.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Blues de Segunda

A angústia, de certa forma, consola,
-Este é o meu paradoxo diário;
O descaso já não é páreo
Para a verdade que nos assola,

O meu caminho possui dois lados
E ambos deságuam na secura
De uma existência fria e escura,
Eu repito os anseios dedicados

À derrota, esta delicada maldição,
Que segue despindo a minha reação
Enquanto a dualidade me consome.

São tantos os pronomes ressecados
Nesta epígrafe para os não-sepultados
Que nossa dor já possui renome.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Pária

Logrei-me nos açudes da alma
na tentativa de algum vínculo
com este desastre oblíquo
que diz não e bate palma,
são tantas vozes tortas,
são tantas presenças desgarradas,
eu assombro as rebuscadas
condutas destes jovens idiotas
com minha deslocada estranheza,
pois não sento à mesa
com estas falsas hipérboles.
Logrei, na alma, os açudes
da distância destas formas rudes...
prefiro a verdade das necrópoles.