segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Metafísica do Desconforto

Eu prorrogo a minha estadia
Na alcova destas sombras dominadas,
Consumido pelas labaredas da fobia
Que reflete(m) tantas vozes desgraçadas,

Quando a fatalidade precede a alegoria,
As súplicas escorregam enforcadas,
Destas rubricas tortas e destroçadas
Retiro as navalhas para a agonia,

Interminável agonia de poeta maligno,
Do desatino ao ato persigno
Três sinais... Apenas três exponenciais

Da desgarrada ilusão que resigno.
A insuficiência tem algo de fidedigno
E meus erros são eternos mananciais.

domingo, 14 de agosto de 2011

A Maldição Necromante de Escrever Para...

A maldição necromante de escrever para
Ouvir aqueles que não estão,
Deflagra a perniciosa ambição
De livrar-me de mais esta escara,

O sacrílego ritual egípcio consternado,
As linhas talhadas na carne molesta,
São epístolas da mesma fresta
Para aquele que segue deste lado

Esculpindo aflições feito um Midas
De poderes invertidos pela aflição,
Dionísio me concedeu a contra dicção
De vociferar todas as dores ouvidas,

Sigo sendo o escriba e o executor
Destas condenações conjecturais,
Habito a lápide que não está mais
Pois me tornei a cova do meu terror.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Juntando Algumas Anotações

Entre a via
e o horizonte
havia
uma fonte
escura
de candura
crua
onde desejos
eram feitos
das vontades
aos ensejos
eram as fugas
os defeitos
que aspiravam
rusgas
pelas ruas
soldadas
no parapeito.

Da solidariedade
a solidão
golpes de sobriedade
sobre a idade
dessas marcas
profundas estacas
que estancam
momentos
pigmentos efêmeros
entressaudades
e receios
vozes
efeitos
artigos malfeitos
sem abrigo
para os prêmios
da unidade
do ar
rarefeito.


Ah!
uma pausa.


-respiração.


[S]ilvos
que [i]nstigam
mais algumas [l]inhas
Pedidos que ficam [v]ertidos
Beijos dançantes assinando o [i]nfinito
Ensinuando verdades para o peito [a]flito!


-trans.pira.ação.


Agora,
há uma causa

para os calos
deste velho coração!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sobre As Atuais Condições (Antropofobia Conjurada)

Eu estou e sou ausente
Uma espécie de lítotes inversa
Onde a negação não regressa
Aos recônditos do presente

Pois esta tumba é perversa
Delega os limítrofes e ressente
Tanta dor que gradualmente
Afasta aquilo que interessa

À intimidade dos meus gestos
Lacunas que preenchem restos
Sombras que sobram na eternidade

Desta insuficiência intimidadora
Que consome de forma aterradora
A minha miséria com acuidade.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Negativismo Existencial

Hoje a existência possui o peso
De mil noites em ressentimento
Dentre as divergências sem intento
Esta quimera deixa–me indefeso

A distância expressa o purgatório
Exponencial de toda esta corrosão
Que costura a realidade em digressão
Nas insuficiências do medo perfunctório

Quando a manhã morre... Eu adoeço
Toda solitude têm seu preço
A minha dimensão não possui salvaguarda

Quisera eu ser o olvido do Presente
Apenas mais uma sombra descontente...
[Todavia] O mal estar vespertino é minha farda.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Elegia Para O Não Elegido

As linhas temerárias do passado
-Não estas traçadas no orbe carnal-
Ditam as apóstrofes do degradado
Percurso de herói sem recital

Pois a eternidade jaz no enforcado
Gesto febril de todo este mal
Que para além e para tal
Demarca e denota-me... O olvidado

Homônimo sem luz que diz e conduz
Esta tumba etérea aos urubus
Assim toda angústia faz jus

A precariedade das minhas formas
Aos dizeres que afogam tantas normas
Pois [ocultado] sempre há um mas.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Diárido

Digo-lhes: a tanatologia dos meus versos
É um tipo de suicídio justificado
Que promove o túmulo glorificado
Da vida colocada em âmbares dispersos,

Assim, a ultrafatalidade segue seu comboio,
-São fúnebres os passos da negação-
Destaco aqui os demônios da civilização
E o mal estar... O pilar de apoio

Das agruras da existência neste lodaçal,
Onde o ser confunde-se com entretantos,
Hiatos da respiração sempre em prantos,
Aprisionados nesta eutanásia transubstancial.

Contudo, o medo segue hirto e insepulto,
Pois o mistério da vigília é pitagórico,
Circunferencialmente escuro e alegórico,
Faz da eternidade apenas mais um tumulto.