sexta-feira, 19 de março de 2010

Comum Entre as Cousas

Por cada pétala derramada no deleite
Da cumplicidade
Faltou-me franqueza
Pois é assim que se sente
A verdade em cada respaldo
Que a chuva nos traz

Um dia quem sabe
Poderei eu, pedaço de carne póstumo
E adjacente, discernir entre
O comumente e o vagaroso
Como numa dança impura
Vertida de dor,
Desvencilhar o esparso
Em notas feitas de algodão?

Poema escrito há algum tempo, não lembro quando.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sociopata Monaural

Silenciei meus sonhos
Para tornar minha existência
Mais oculta o possível
Assim, o sacrifício
É a aspiração
Que mutila meus membros
E o coração
é passageiro
E, por ora eu quero apenas uma canção
Que canse toda estação
Que pare o meu mundo
Apenas por instantes,

Eu desqualifico a sorte.

Poema antigo, escrito no começo de 2009.

sábado, 13 de março de 2010

A Dialética dos Defuntos

A prisão que congrego é histérica,
Da angústia ao repúdio Trimegisto,
São três os registros desta decadência esférica;
A aflição, as neuronas e o credo que insisto

Em postular, não existindo além do esqueleto,
Além do cântico escuro, esquisito e obsoleto,
Que, ao passo dos anos, assisto postergar
Minha inaptidão para seguir o caminho solar,

Do silêncio sem alma ao dilema em ascensão,
A estrita dor do verso é restrita à extensão
Simbólica, do que nego, aos uivos, à noite,
Pois sei da verdade que há em cada açoite

Poético, da profecia daquilo que não compõe
As tonalidades sujas do medo vertido,
O que proponho é um sorriso derretido
Pra cada hora rendida que a falta impõe.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Uma Canção Para o Andarilho sem Sombra

A unificação do vazio vascularizado
Em minhas crenças empilhadas,
Derrama o medo irto-polarizado,
Nas verdades insolutas entalhadas,

Deste Histrionismo que congrego como vida,
Um labirinto hediondo e sem saída,
Constituído da mortalha antropomórfica,
Que funestamente declama a voz catastrófica,

Da minha razão turva, com rouquidão,
Entre a noite cortante e a ilusão,
Eu sigo apagando meus próprios sorrisos,
De lápide em lápide encontrando os mesmos avisos:

"Saibas, poeta, a serpente verte teu veneno vil,
Naqueles que descobrem a insalubridade do teu covil,
Pois, desnudar o sangue que abarrota teu esconderijo,
Não proporciona [a ela] nada mais que um belo regozijo"

E assim sigo consumido pelo ostracismo,
Da paz sutil deste débil relativismo
Aos atos esquecidos em minha Golgotha...
Em meu caminho há apenas cadáveres em volta.

sábado, 6 de março de 2010

Da Apatia Enfática

A minha felicidade é ossiculada
Pelos símbolos de Odin em ruínas,
Do ruído dos sacrifícios nestas esquinas,
Sou, pois, a disformidade articulada,

Da descrença nestas páginas adormecidas,
Pela pele carrego as marcas entristecidas
Do externado Negativismo Existencial,
Onde a apatia é apenas uma canção diferencial,

Sob a folhagem esférica da vida,
É sempre pela ausência a minha ida
Aos íntimos cortes, sem ferida, da Minha História
Desnuda, deslocadamente interpretativa e sem Glória

Alguma. Um signo falho escrito com o plasma ausente
Da alma, do abraço falho, da calma intermitente,
Eu sempre corro contra o Passado, todavia,
Suas lâminas ainda machucam o pouco de carne que havia

Neste......................................receptáculo.
- Por fim, deus está morto. Que comece o espetáculo.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Ditirambo Para a Saudade e Seus Erros

Da legião dos meus demônios congregados
A este exorcismo indevido e sem comunhão,
Propago um obscuro mundo de poemas estragados,
Para a Ausência que me corta com precisão,

É nesta analogia fria que vomito meu leito,
O pleonasmo dolorido aplaca qualquer feito
Pois sou análogo à cor de todas as cores,
Sigo ramificado e sem odor nestas flores

Maquiavelicamente estéreis, e não há liturgia,
Não há sinergia que aplaque tal cirurgia,
Em meu peito trago o vazio avulso em curso,

Devidamente fortificado nesta forca verborrágica,
A força negra da minha catacumba é trágica,
Propicia altivez ao regresso impuro do meu discurso.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A Dor Vespertina

"Sua vontade era como a folha de um punhal: ferir ou estalar"
Álvares de Azevedo

Tal qual uma biblioteca falecida,
A minha existência é enegrecida
Pela memória arrancada do peito,
Quando a fobia atesta o conceito,

De dias áridos e sem euforia,
Destinados à heresia da Vontade,
Que deflagra a ambivalência sem idade,
Da epifania desmedida pela sangria,

Deste punhado de erros em comunhão,
Com minhas entranhas atiradas pelo chão,
Eu aceito a animosidade do corte ficcional,

Na minha realidade lúgubre e sem estrutura,
Onde a fórmula repete a má formação da ossatura,
Conjecturando mais esta liturgia dolorida e passional.