segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Primaveras Mortas

Pelos umbrais da decadência
Ergo, Eu, a minha pequenez:
"Insalubridade agora é sua vez
De coexistir sem reminiscência",

Pois o corte em meu instante
É a mortalha que recobre,
Cada ausência que percorre
Este eterno obstante,

Assim sigo, sabotando minhas chances;
"Espero que tu não te canses
Deste meu glaucoma sentimental"

Afinal, propago um gosto falsificado,
Pois não supero o peito fracassado.
- Sou apenas um solstício lacrimal.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Incompreensível (Como Tantos Outros)

A minha solidão é corrosiva,
Corrompe a carne a cada injunção
Destas centúrias mortas em procissão,
Pois que minha cegueira é abrasiva,

Quando o sibilo aprazível não vem
E o indizível postula um não-querer,
O ritmo do meu verso é autofágicoser,
Traz a Peste e torna a lástima aquém,

Assim, a tortuosidade faz sua morada,
E eu acabo por repetir a con-dicção malograda
De apenas assistir enquanto me consumo.

Cada nova icterícia poética que promulgo
Propõe as mesmas bilirrubinas sem vulgo,
Pois atesto o fracasso com mais este insumo.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Escrita Inferior

Os meus versos são o preâmbulo
Para a discórdia que há entre
Os dias, as escamas e o ventre
Da verdade deste pacto sonâmbulo,

Se eu pudesse, fugiria das mil elegias
Que me elegem, tornando-me metalepse
De tudo aquilo que corrói e emudece
Este lirismo cansado de tantas alergias,

Quando a maldição não possui um nome,
O comboio para a dor segue conforme
Os novecentos e noventa e nove infernos,

Pois aqui a insígnia da alegria não figura.
O que me resta, senão As Montanhas da Loucura
E toda ancestralidade dos gelos eternos?


Primeiro poema do ano.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Mais Uma Injúria Afásica Para Os Pronomes Em Primeira Pessoa

Ironicamente o sobressalto da noite
em toda sua plenitude rouba
a inocência que, obviamente, não poupa
os meus ossos do açoite

veemente dos demônios da degradação,
são tantas vozes sem sepultamento
que vou além do mero apodrecimento,
repetindo os signos da condenação

deste meu enredo cinzento-ancestral.
Eu preencho a lacuna do medo
que fica evidente a cada segredo
circunscrito no amplexo amoral

perdido entre o arrependimento amanhecido
que cravo na intermitência da Vida.
Mais que uma alcova, esta é a saída
para quem carrega o orgulho arrefecido.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Defuncti Injuria ne Afficiantur

"Eu sou a sombra e minha morada está perto das Catacumbas de Ptolemais, junto daquelas sombrias planícies infernais que orlam o sujo canal de Caronte"
E.A Poe


E serão sete as almas dedicadas
Ao submundo dos meus sonhos,
E sete serão os sacrifícios tristonhos
Para acalmar tantas vísceras aclamadas,

E serão duas, e apenas duas, as perdições
-Eu e minha sombra corrompidamente fria-
Deslocando-se entre a opulência e a apatia
Da Doença em suas inúmeras transfigurações,

Para o meu verso, ineficácia é o que peço,
Quando a sofreguidão não faz recesso,
A monstruosidade é pertinente ao afeto,

Que, de credo em credo, canto em desalento,
Pois a incompletude deixou-me apenas o talento
Enfático de lograr minhas mortes. Quieto.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Ode à Tânatos

O caminho sem penumbra é entrópico
Pois a plenitude do vazio constitui
O idealismo rouco que permeia e que flui
Pela eternidade deste corpo utópico

Quando a humanidade adoece, o regresso
À animosidade das coisas é considerado
Um caminho lúgubre, porém vociferado
Afinal a veemência do fim está no processo

Insalubre dos ditames da foraclusão
Apenas um ditirambo a mais em profusão
Para a tragédia interpessoal que congrego

Assim, a insuficiência consome o segredo
Para além do retraído gosto do medo...
SER para a morte é o signo que carrego.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A Proeminência da Falha

O ritmo do mundo é anamórfico,
Tumultua o túmulo dos meus vultos,
Entre a voz de todos estes insultos,
Resigno-me à sombra do lupanar mórfico,

Desta colheita de mandrágoras enfraquecidas,
À evolução ovulada em movimentos elípticos,
Os ditames são suntuosamente apocalípticos,
Carregam um punhado de perturbações ensandecidas,

E a cada hora externada sem extensão,
Procuro o jugo que me julga preferido,
Pois que o tomo da aflição não é preterido
À catarse ultrajante que adorna a sujeição,

De todos os meus versos sujo-errádicos,
Os despetalados são os de pior simetria,
Cultuam uma espécie de lesão em disartria;
Um punhado de lucidez em signos esporádicos.