terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Anomalia de um Verso Triste

A similitude entre a falta,
E o que machuca me assalta,
Neste mundo distante e astigmático,
Onde a verdade tem gosto monocromático,

Eu me situo na sombra da minha dor,
Para tentar olvidar, dos ossos, o odor,
De existir postumamente. Asmático e descrente,
Em notas feitas com o sangue escuro e ausente,

Da solidão que não possui mais rosto,
Apenas respiro [entre catacumbas] o gosto,
Amanhecido e incauto do desespero,
Pois trago atrofiado ao corpo o exaspero

Da derrota. Se Escrevo com a alma condensada,
-Dos nervos vazados a esta valsa condenada-
Por que faço destes artigos repetidos,
A mesma liturgia para os edemas [não] esquecidos?


Acabei de escrevê-lo...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Pequenas Considerações Sobre a Realidade

Eu visto o inverso dos meus versos
Como alguém que procura prever o próprio erro
Pois, no espelho o que há é apenas o tormento
De saber que tenho a solidão como argumento

Plausível para todo e qualquer momento, afinal
Neste inverno precoce eu sirvo de doença terminal
Às minhas veias gastas em melodias amanhecidas
E sinto a repugnância atacar minhas páginas esquecidas

Como num filme de caráter marginal.



Mais um poema que estará no livro Poemas Noturnos (no prelo).

Veemência

Sou tal qual um sonho,
Incerto e deslocado.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Mais um Poema Abortado Pelo Desconforto

Dedico à Tânatos meu testamento,
Algarismos sórdidos para o tormento,
Das Agruras que guardei na memória,
Pois sei, sou o reflexo da escória,

Que a eternidade fria corrobora,
Alimentando com restos o agora,
- Um lapso de escuridão na história,
Dos arquétipos sujos e sem dedicatória,

E é quando apenas a falha colabora,
Que Sombras batem à minha porta e,
Assombram olhares aorta a aorta,

Pungindo o medo que elabora,
Do meu peito que já não corta,
Palavras de uma língua torta,

Eu sou minha própria língua morta.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Mais Uma Noite...

Mais Uma Noite...

Então encontro meu vazio nesta sala,
Novamente é tua falta que me escala,
Trazendo pro peito uma dor desmedida,
Da escuridão que alimenta minha ferida

Etérea, na sordidez vencida a medicina
Que propago é oblíqua, pois sou a carnificina
Desenfreada e abusiva de minhas sombras corroídas,
Propago, pois, um livro de teorias vencidas.

Pra cada hora vivida eu enterro um poema,
E sigo assim colhendo os restos do meu credo,
Inexistente. Aqueles mesmos edemas descrentes,
Dedicados aos doentes de berro em berro,

E o desconforto toma conta dos meus dias.


Mais um poema que estará presente no livro Poemas Noturnos(no prelo)

domingo, 22 de novembro de 2009

História Deslocada

Sob a égide do desgosto,
Figura o fantasma sem rosto,
[Entre verdades suturadas]
Das minhas falhas amarguradas,

Que concatenam a terrível situação,
De descrever a própria vida em putrefação,
Um ato certamente frio e repetido,
Interessante somente ao que é esquecido,

Afinal, é meu livro, um cemitério,
De signos sujos e sem critério,
Delego audácia apenas ao mistério,
De ser o poeta cego e sem hemisfério.

Pois, das memórias mortas que trago,
Estas são as de maior estrago,
Certamente a distância é a ânsia
O interlúdio para o sangue não coagulado.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Dez Versos Para a Noite que Vem

O vértice das minhas tardes,
Esconde-se entre as carnes,
Que figuram neste livro morto,

Onde, sigo escrevendo torto,
Tragédias por todas as partes,
Cravando, no papel, a figura de Hades.

Nos Campos Elíseos, o conforto,
Uma parte límpida em meio ao Lodo,
. . . Eis a ilusão insípida dos frades,

- Que habitam estas linhas com assombro.