quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Diffindo Angustia

O antônimo da minha solidão
Reside no vazio de cada instante,
Pois, se o presente já é a extinção,
A temporalidade é oblíqua. E obstante

Faz da sofreguidão a consoante,
Que entoa certa lucidez errante,
Entre a memória lúgubre e amoral,
O meu agora sofre úmido e sem final,

Quando o tempo torna-se lúdico,
E eu respiro o tormento pudico,
De cada pensamento que tento verbalizar,

Contudo, meu caminho continua lívido,
E cada demônio reside aqui, vívido,
Pois a angústia pura não se pode simbolizar.

Aspectos

"Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco."

O vazio pretenso à existência
Diz como me registro deslocado,
Neste mundo cansado da ausência,
Onde fulgura incólume o desfigurado
Aspecto antropofágico da urgência,
Que alimenta mais este verso apagado.

Oferecendo as carnes minhas ao descaso,
Pois, tenho certa doença intelectual,
Que se desloca pelo sangue oco e esparso,
Em busca de mais algum escrito residual.
Eu costuro virtudes neste léxico cansado,
Tentando fugir da desgraça poética proposital,

Que aplaca meus dias dialeticamente fugidios.
Será o Real apenas face da Primavera e seus vestígios?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Do ato de [d]- escrever

A partir do momento que me descrevo já não sou mais o mesmo. O discurso torna-se endêmico, refém da fala e também seu amuleto. Eis um aspecto da destreza que há na beleza da humana condição: ser paradoxo para a sinfonia e a dialética da contradição!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Problema de Três Estrofes Simbióticas...

Veemente, dedico meus versos ao descaso,
Pois estar vivo é estar ao acaso,
Da realidade antropofágica intangível,
À angústia de pensar o indizível,

Em mais este punhado de pragas ausentes,
Costuradas à sombra dos Deuses descrentes,
Que enfatizam, abruptamente, a falta,
Elaborada com o sangue da tristeza incauta,

Carregada pelo universo aqui descrito,
Repetindo a fórmula do fracasso restrito,
A mim e ao meu espelho exaurido...
Afinal, eu escrevo por não ter sido.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Jorge Luis Borges



Soy los que ya no son. Inútilmente
Soy en la tarde esa perdida gente

Sou os que já não são. Inutilmente
Sou em meio à tarde essa perdida gente

Existem versos que eu realmente gostaria de ter criado. Porém, deixemos a genialidade para os gênios.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Flectere si Nequeo Superos, Acheronta Movebo

Flectere si Nequeo Superos, Acheronta Movebo

Eu legitimo minha posição neste mundo,
Olvidando-me nas sombras do acaso fecundo,
Destas teorias que crio para a eterna busca,
Para a eterna fuga de minha tragédia Etrusca,

Pois sou, afinal, aquilo que não é
Talvez tenha sido onde não existi,
Carrego a maldição de Sísifo com fé,
Se minha alma é atemporal eu me esqueci,

E nas melodias da Primavera busco retidão,
Cravando o inexorável Real com rouquidão
Nestes passos tortos, que já não merecem atenção,

Pois o funeral da minha escrita é decorrente
Da mesma repetição maldita, apócrifa e descrente,
Eu respiro a antítese da vitória. Molestado e doente.

domingo, 4 de outubro de 2009

Notas Sobre a Condição Humana

Notas Sobre a Condição Humana

A tristeza desta sala não tem nome
Ela apenas existe e corta conforme
Meu corpo sem signos se dissolve
Entre os tecidos que a distância envolve

Dos dissabores que a poesia fúnebre promove
À falácia humana que somente comove
O Corvo, Os Doentes e seus contornos
Sem corpo, eis a Ausência e seus transtornos

[P O I S]

O constructo da verminologia que proponho
São versos grafados com o sangue risonho
Da minha duplicidade estreita e necessária
Eu já não sou mais nesta escrita presidiária.